23 outubro 2013
Valérie Zenatti nasceu em Nice, em 1970, mas passou toda a adolescência em Israel, experiência que influenciou o seu trabalho. Ela é tradutora,roteirista e publicou quinze livros. Uma garrafa no mar de Gaza foi traduzido para mais de doze línguas, recebeu inúmeros prêmios e foi adaptado para o cinema.
22 outubro 2013
A amiga chega de longe. Está linda como sempre. Os cabelos são loiros, a voz mansa e baixa, como antigamente. Sobretudo o modo de ser e a própria ser não mudaram. Convido-a para irmos à praia e ela concorda, acha uma boa escolha.
Pisamos o pé na areia, sensação que ela já não sabia mais, pois vive em Nova York, cidade estrangeira; o centro comercial do EUA.
Está tão desacostumada com a rotina e os modos brasileiros que ao ver aquele carrinho de sorvete em plena praia de Copacabana se assusta e pergunta-me se isso é legalizado por aqui; acho um pouco engraçado, mas respondo.
Após banharmos convido-a para irmos ao restaurante mais próximo.
Entramos no restaurante em que costumo comer no horário do almoço depois do meu primeiro expediente de trabalho.
Com apetite regulado, entramos no restaurante, nos deliciamos com várias comidas típicas brasileiras, conversamos tranquilamente. Pergunto-lhe como é a vida no estrangeiro. A resposta é bem precisa, parece que gosta de como sua vida é lá.
Com um tempo ela começa a observar o meio onde vivo. Crianças brincando suavemente com seus cachorros, pássaros cantando no céu.
Luis Fernando Veríssimo
Biografia:
Nascido em Porto Alegre em 26 de setembro de 1936. Este escritor é mais conhecido por suas crônicas e por seus textos de humor, mas o principal são as sátiras que são de costume desse autor. Luís Fernando Veríssimo também é roterista de TV, tradutor e cartunista brasileiro. Ele é atualmente o escritor mais popular do país, sendo filho do grande escritor Érico Veríssimo. Na sua história já são mais de quarenta crônicas escritas, além de seus muitos outros trabalhos de outros gêneros literários.
Resumo da crônica "Na fila":
Uma
fila é organizada para ver o caixão de Dom Pedro Primeiro, e começa uma
confusão na fila já que muitos ali nem sabiam quem ele era, outros estavam lá
apenas porque gostam de um velório.
Nesta
crônica, vemos a ignorância do senso comum, que participa de qualquer coisa por
puro impulso, percebemos também uma crítica ao governo, quando uma das pessoas
da fila diz que acreditamos em tanta coisa do governo, que não havia porque não
acreditar que Dom Pedro I estava mesmo no caixão, e também quando as pessoas
elogiam a obra do viaduto, mesmo ela sendo inútil.
Machado de Assis
Biografia:
Joaquim
Maria Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da
literatura brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro em 21/6/1839, filho de uma família
muito pobre. Mulato e vítima de preconceito, perdeu na infância sua mãe e foi
criado pela madrasta. Superou todas as dificuldades da época e tornou-se um
grande escritor.
Na infância, estudou numa escola pública durante o primário e aprendeu francês
e latim. Trabalhou como aprendiz de tipógrafo, foi revisor e funcionário público.Publicou
seu primeiro poema intitulado Ela, na revista Marmota Fluminense. Trabalhou como
colaborador de algumas revistas e jornais do Rio de Janeiro. Foi um dos
fundadores da Academia Brasileira de letras e seu primeiro presidente.Podemos
dividir as obras de Machado de Assis em duas fases: Na primeira fase (fase
romântica) os personagens de suas obras possuem características românticas,
sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais temas de seus livros.
Desta fase podemos destacar as seguintes obras: Ressurreição (1872),
seu primeiro livro, A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá
Garcia (1878).Na
Segunda Fase ( fase realista ), Machado de Assis abre espaços para as questões
psicológicas dos personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as
características do realismo literário. Machado de Assis faz uma análise
profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades,
defeitos e qualidades. Nesta fase destaca-se as seguintes obras: Memórias Póstumas
de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892), Dom Casmurro
(1900) e Memorial de Aires (1908).Machado
de Assis também escreveu contos, tais como: Missa do Galo, O Espelho e O
Alienista. Escreveu diversos poemas, crônicas sobre o cotidiano, peças de
teatro, críticas literárias e teatrais.
Machado de Assis morreu de câncer, em sua cidade natal, no ano de 1908.
Resumo da crônica "Fuga no hospício"
O autor narra uma fuga de loucos que ocorreu num hospício carioca e discorre sobre seu temor em dirigir a palavra às pessoas na rua da tal fuga, afinal, qualquer uma delas pode ser um dos loucos que fugiram do hospício.
O autor narra uma fuga de loucos que ocorreu num hospício carioca e discorre sobre seu temor em dirigir a palavra às pessoas na rua da tal fuga, afinal, qualquer uma delas pode ser um dos loucos que fugiram do hospício.
Machado defende que todos podem ser loucos, afinal, naqueles dias “o
juízo passou a ser uma probabilidade, uma eventualidade, uma hipótese”.
Justifica tal afirmativa ao descrever os fatos que ocorreram durante a semana,
como se os mesmos fossem fruto da loucura.
Rubem Braga
Biografia:
Nasceu em 12 de janeiro de 1913, na cidade de Cachoeira de Itapemirim,
filho de Raquel Coelho Braga e Francisco Carvalho Braga, dono do Jornal
“Correio do Sul”. Começou no jornalismo escrevendo crônicas para o
jornal “Diário da Tarde”, e trabalhou como repórter no “Diários
Associados”.
Mudou-se para o Recife, onde colaborou no “Diário de Pernambuco”. No
Rio de Janeiro, fundou o jornal “Folha do Povo” que defendia a Aliança Nacional Libertadora.
Em 1936, aos 22 anos, lança o seu primeiro livro de crônicas, “O Conde e
o Passarinho”. Em 1944, lançou o segundo livro “O Morro do Isolamento”.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Rubem Braga foi correspondente de guerra na Europa,
pelo “Diário Carioca”, e escreveu o livro “Com a FEB na Itália”. Depois
da guerra, retornou ao Brasil e morou em Recife, Porto Alegre e são
Paulo.
Em 1961, tornou-se embaixador do Brasil no Marrocos, nesta época já havia publicado “Ai de ti Copacabana”. Em 1968, com Fernando Sabino
e Otto Lara Resende fundou a editora Sabiá. Rubem Braga ficou marcado
por escrever crônicas de estilo poético, misturando lirismo e
acontecimentos do dia-a-dia.
Nos anos 80, colaborou no caderno cultural Folhetim, da Folha de S.
Paulo. Rubem Braga morreu no Rio de Janeiro, em 19 de dezembro de 1990,
com mais de 62 anos de jornalismo.
Resumo da crônica "As luvas"
Só ontem o descobri, atirado atrás de uns livros, o pequeno par de
luvas pretas. Fiquei um instante a imaginar de quem poderia ser, e logo
concluí que sua dona é aquela mulher miúda, de risada clara e brusca e
lágrimas fáceis, que veio duas vezes, nunca me quis dar o telefone nem o
endereço, e sumiu há mais de uma semana.
São cenas que retratam o
convívio diário com outras pessoas, os choques de opiniões e
interesses, o dia-a-dia do trabalho de um jornalista que precisa
escrever sua crônica diária para sobreviver.
Baseado no livro "Todos contra Dante", a professora Ilvanita (Português) pediu para que fizéssemos um trabalho relacionado ao bullying.
Charge

Tirinha
(Será postado os quadrinhos separadamente, pois o tamanho da tirinha não é suportada pelo blog.)


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Tirinha
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Este conto é muito legal, e intrigante pois leva o leitor a imaginar qual será o desfecho da historia.
Você pode ler este conto aqui nesse blog. Para acessá-lo, clique aqui.
21 outubro 2013
Ausência
(Vinicius de Moraes)
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
O amor, a poesia, as viagens
(Manuel Bandeira)
Atirei um céu aberto
Na janela do meu bem
Caí na Lapa - um deserto...
- Pará, capital Belém!
Não sei quantas almas tenho
(Fernando Pessoa)
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não atem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: “Fui eu?”
Deus sabe, porque o escreveu.
Tal nasceu em
meio às manifestações pela paz e em apoio ao povo palestino. Seus pais são
defensores da boa convivência entre os dois povos. A história do livro tem
início em setembro de 2003, na cidade de Jerusalém.
Em uma noite como outra qualquer, a garota está se
preparando para dormir, quando de repente sua casa estremece. Era o estrondo de
uma explosão nas redondezas de sua casa, especificamente no café Hillei. No dia
seguinte, Tal descobriu que entre as vítimas desse atentado, havia uma garota
que se casaria em breve, mas que faleceu ali.
Este fato mexeu muito
com Tal, pois ela não se conforma com tamanha violência que tira vida de
pessoas inocentes. Ela não quer ser como os outros israelenses, com ódio no
coração, sempre teve esperanças que esse conflito logo acabasse e que os povos
não se odiassem. Isso acabou dando á Tal uma ideia um tanto quanto arriscada:
escrever uma carta (onde expressa o que pensa sobre o que sobre o conflito
entre os dois povos) para um palestino qualquer, depositá-la dentro de uma
garrafa e pedir ao seu irmão, Eytan, soldado a serviço de Israel na fronteira
com a Faixa de Gaza, para que a lance ao mar.
Tal queria mesmo que
uma garota palestina com os mesmos ideais que os seus encontrasse a garrafa,
podendo assim criar um “vínculo de paz” entre as duas comunidades dialogando
com sua correspondente palestina. Mas o destino tinha outros planos...
A garrafa é
encontrada por um jovem palestino de 20 anos, Naim, que se identificou
primeiramente como Gazaman. O diálogo entre ambos é complicado, pois diferente
de Tal ele já não acredita mais na paz. Naim reage de uma forma negativa ao
responder, zomba de Tal, mas ela não desiste, pois vê que por trás de toda
aquela ignorância, há esperanças dentro do coração daquele garoto.
As mensagens trocadas
através de e-mails entre os dois retratam a realidade de Israel e da Palestina
de uma forma diferente, que nos faz sentir dentro da história, no meio daquela
realidade de medo e aflição.
Uma das cenas mais
emocionantes é a descrição do assassinato de Yitzhak Rabin, em 4 de novembro de
1995. Nunca a paz esteve tão perto, mas os opositores da independência da
Palestina estavam determinados a impedir isso de qualquer forma e assim
fizeram.
A história é
primeiramente, narrada por Tal e depois sob o olhar de Naim. O livro nos leva
para viver a história, é como se o leitor fosse um dos lados dessa história.
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